"Guerra existencial". Gráficas ucranianas também são alvo da Rússia

"Guerra existencial". Gráficas ucranianas também são alvo da Rússia

Um míssil russo atingiu durante a madrugada desta segunda-feira uma gráfica, situada nos arredores de Kiev. O ataque ocorreu precisamente quando a produção se intensificava para entregar 1,3 milhões de livros, o equivalente a 10 por cento dos livros escolares da Ucrânia. Viktoria Haidai, responsável por uma editora ucraniana, acredita que "isto é deliberado por parte da Federação Russa".

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
AFP

"Os russos também estão a destruir gráficas na tentativa de apagar a Ucrânia como nação. Mas, francamente, não vão ter sucesso”, assegura Viktoria Haidai enquanto passa os olhos pelos destroços da tipografia. O local que deveria estar a todo o vapor a produzir manuais para o novo ano letivo escolar, escreve o repórter da BBC na Ucrânia.
"Nos últimos dois meses, algumas das maiores editoras perderam os seus centros de distribuição, onde estavam armazenadas grandes quantidades de livros”.

De acordo com a imprensa ucraniana, a Rússia destruiu um terço de todos os livros impressos na Ucrânia este ano. 

Há alertas de que todo o setor editorial da Ucrânia está sob ameaça e precisa de apoio internacional para se manter viável.

Na gráfica que foi bombardeada, nos arredores de Kiev, Viktoria Haidai defende que é vital preservar a literatura ucraniana. "A palavra é tudo. Representa o nosso desenvolvimento, a nossa cultura e o nosso património histórico, transmitido de geração em geração."
Mais de 35 instalações do setor editorial foram atingidas só nas últimas semanas pelos ataques com drones.

A Rússia atingiu gráficas e editoras em toda a Ucrânia e destruiu 12 milhões de livros.

Um exemplo disso foi o que aconteceu há duas semanas no mercado de livros usados de Pochaina, em Kiev. Outro ataque russo destruiu centenas de bancas e inúmeras obras valiosas.
Foto: AFP 

"Os livros estão a salvar-nos, e perder isso é como perder os nossos corações", desabafou então uma jovem ucraniana.

Museus, galerias de arte, estúdios de cinema, bibliotecas e teatros de ópera também sofreram danos. No Mosteiro das Grutas de Kiev (o grande mosteiro medieval e património cultural da capital ucraniana), foram atingidas as cúpulas douradas da Catedral.

Os artefactos religiosos foram levados para um local seguro, mas uma grande parte do telhado incendiou-se após um ataque com drones.

O local alberga também o museu de livros da Ucrânia. Durante as recentes celebrações que assinalaram os 975 anos da fundação do mosteiro, o diretor-geral da Unesco disse estar "profundamente entristecido" por ver "os danos significativos".

"A Unesco condena firmemente todos os ataques contra bens culturais protegidos pelo direito internacional".

A ministra da Cultura da Ucrânia fala em "guerra existencial”

A Rússia quer destruir-nos como nação, apagar-nos como nação, como se os ucranianos não existissem e nunca tivessem existido. É por isso que a Rússia tem como alvo o nosso património cultural, os símbolos da nossa presença aqui há tanto tempo”, afirma Tetyana Berezhna.
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